Filosofia

Preâmbulo histórico

O trabalho batista no Rio Grande do Sul começou em 1881 com a chegada de Carlos Feuerharmel e sua família, imigrantes alemães, que se fixou na Li-nha Formosa, interior do Município de Santa Cruz do Sul. Em 5/11/1893 foi organizada a primeira i-greja batista no campo gaúcho, a IB Alemã de Li-nha Formosa, com 45 membros, sob a liderança do pr. August Matschulat.
No final desse mesmo ano chegaram a Ijuí imi-grantes letos batistas, que se fixaram na Linha On-ze Leste, e que fundaram a segunda Igreja em 23/ 3/1895, a IB Leta. Em Porto Alegre, um grupo de oito batistas organizou a Igreja Evangélica Batista Alemã (atual PIB em Porto Alegre) no dia 27/2/ 1898. A quarta Igreja foi organizada em Neu Wuer-temberg, atual Panambi, em 22/3/1906.
Essas Igrejas organizaram várias congregações, que se espalharam pelo Estado. Em 31/5/09, as quatro igrejas se reuniram em Ijuí, na Igreja Leta e realizaram um congresso, decidindo organizar no a-no seguinte uma Associação estadual, o que foi fei-to em 15/5/10, na Igreja de Linha Formosa, surgin-do a “Associação das Igrejas Batistas do Rio Grande do Sul”.
Dois dias antes, em 13/5/10, era organizada em Porto Alegre a 1ª Igreja Batista Brasileira de Porto Alegre, sob a liderança do missionário Albert Lafay-ette Dunstan, enviado pela Junta de Missões Nacio-nais. Logo outras igrejas foram organizadas no inte-rior e na Capital do Estado. A Igreja Leta se desvin-culou da Associação, por não se identificar com a língua alemã, e a Associação passou a se chamar “Associação das Igrejas Batistas Alemãs do RGS”, atual “Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil”. Em 1991, a PIB Brasileira de P. Alegre se desligou da CBRS por motivo doutrinário.
Em abril de 1925 chegou ao RGS o casal Harley e Alice Bagby Smith, que deu início a um trabalho cooperativo das igrejas chamadas “brasileiras”. No dia 17/12/25 foi organizada a “Convenção Batista do Rio Grande do Sul”, com 45 mensageiros prove-nientes de 10 igrejas, com o objetivo de congregar os batistas do Estado no trabalho cooperativo de e-vangelização, missões e beneficência, característi-cas denominacionais desde o século XVII, quando os batistas ingleses se reuniram, pela primeira vez, com o propósito de somarem as suas forças para um objetivo comum (1626).

Introdução

1. A “Filosofia da CBRS” é a afirmação do que é a Convenção e os fundamentos bíblicos em que se baseiam a sua existência e os seus objetivos, que são:
a) promover o inter-relacionamento fraterno e cooperativo entre as igrejas;
b) apoiar o fortalecimento e a multiplicação das igrejas;
c) interessar-se pelo progresso e crescimento espiritual e social dos membros das igrejas;
d) conduzir seus relacionamentos com as igrejas respeitando a sua autonomia administrativa;
e) administrar as entidades e instituições que cria e às quais atribui a execução de seus objetivos, programas e determinações;
f) obedecer aos padrões bíblicos de relaciona-mento com a sociedade, com o Estado e com outras denominações e igrejas.
2. A Filosofia da CBRS está calcada:
a) na Palavra de Deus, única regra de fé e práti-ca dos batistas;
b) na “Declaração Doutrinária da CBB”, aceita como fiel interpretação doutrinária da Palavra de Deus;
c) no “Pacto das Igrejas Batistas”, compromisso pessoal e mútuo dos membros das igrejas;
d) na missão e propósito das igrejas que com ela cooperam.
3. A Filosofia da CBRS tem por objetivo tornar explícito:
a) o que é a Convenção;
b) quais são os seus alvos;
c) como realiza seus propósitos e como orienta suas atividades.

I. Fundamentos da Filosofia da CBRS

A Convenção Batista do Rio Grande do Sul é uma organização religiosa constituída por igrejas batistas que se unem com o propósito de promover o de-senvolvimento do Reino de Deus em todos os seus aspectos e por todos os meios lícitos.
A existência e os objetivos da Convenção funda-mentam-se nos seguintes pilares básicos:
a) a compreensão da natureza da igreja local neo-testamentária (At 2.44-47; Ef 2.19-22; 5. 25b-27);
b) a posição do indivíduo no propósito divino (1Tm 2.3, 4; Ef 4.13; 2Co 5.17-20);
c) o governo democrático das igrejas (At 15.22; Mt 18.16, 17);
d) o princípio da cooperação e interdependência das igrejas (2Co 8.1-4, 18, 19; Fp 1.3-5).

1.1 – Fundamentos Bíblicos da Convenção

A partir do entendimento de que a existência e os objetivos da Convenção se fundamentam na compreensão da natureza das igrejas batistas e do princípio de cooperação, fica claro que seus funda-mentos encontram-se na Bíblia e sua existência busca atender ao propósito de Deus em relação ao seu Reino, ao homem e ao Universo.
A Bíblia não fala explicitamente em convenção, associação ou outra qualquer organização eclesiás-tica além da igreja. Entretanto, apresenta ensinos e situações que permitem a organização denomina-cional como a compreendemos.
Há muitos textos bíblicos que ensinam princípios, dão exemplos de cooperação fraterna e de solida-riedade entre o povo de Deus e indicam a forma co-mo o próprio Deus age ou orienta a ação de seu po-vo.
1.1.1 – A cooperação como forma criadora:
a) A criação do Universo e do Homem (Gn 1.1, 26; Jo 1.1-3, 10).
b) A formação do povo de Israel a partir da con-vocação de Abraão e sua família (Gn 12.1, 5).
c) A vinda de Jesus Cristo ao mundo com a parti-cipação e cooperação de tantas pessoas através da História e de José e Maria em particular (Mt 1.1-18; Lc 3.23-28).
d) O ministério de Jesus realizado com a partici-pação e apoio de tantas pessoas (Mt 4.18-22).
e) O chamado “Colégio Apostólico” formado a partir da convocação dos 12 apóstolos (Mc 10.1-7).
f) A fundação da Igreja, cujo nome já significa assembléia ou reunião dos salvos (Mt 16.16-18; At 20.28).
g) A obra de Deus que é feita através de coope-radores salvos por Jesus Cristo (1Co 3.9, 10).
1.1.2 – A cooperação como exemplo de solução de problemas comuns aos crentes através de reu-niões especialmente convocadas para considerá-los:
a) A convocação dos apóstolos para tratar da es-colha do substituto de Judas Iscariotes (At 1.23-26).
b) A reunião da multidão dos discípulos, convo-cada pelos apóstolos, para buscar solução para a questão surgida entre helenistas e hebreus, em re-lação ao atendimento das viúvas da igreja de Jeru-salém (At 6.1-6).
c) A reunião da Igreja de Jerusalém para ouvir o relatório de Pedro, relacionado com a conversão de Cornélio (At 11.4, 17, 18).
d) A reunião do chamado “Concílio de Jerusalém” com o propósito de dar tratamento às controvérsias doutrinárias (At 15.2, 12, 19-22).
1.1.3 – Programas cooperativos desenvolvidos e administrados pelas igrejas, através de seus líde-res:
a) O início do trabalho missionário pela Igreja de Antioquia da Síria que, inspirada pelo Espírito San-to, separou e enviou Barnabé e Saulo (At 13.1-3).
b) A questão da fome dos cristãos da Judéia e a decisão de fazer uma campanha envolvendo todo mundo cristão, com o objetivo de levantar recursos para socorrer os irmãos em aflição (At 11.28, 29; 2Co 8.6, 11, 16-24).
c) A decisão de igrejas que resolveram participar do sustento de Paulo e de seus companheiros na o-bra missionária (Fp 4.15, 16; 2Co 11.8, 9).
d) A grande reunião convencional resultante do encontro de crentes de várias cidades em Trôade (At 20.4-7).
e) O relatório dado por Paulo à Igreja de Antio-quia da Síria após a sua volta da primeira viagem missionária (At 14.27, 28).
1.1.4 – Igrejas e servos de Deus manifestando cuidado pelas igrejas e decidindo ajudá-las:
a) A Igreja de Jerusalém enviando Barnabé para acompanhar os fatos que estavam ocorrendo em Antioquia da Síria com o surgimento da primeira i-greja cristã gentílica (At 12.22-26).
b) A decisão de Paulo de voltar às igrejas organi-zadas em sua primeira viagem missionária para ver como elas estavam, fortalecê-las e constituir líderes (At 14. 21-23).
c) O cuidado de Paulo para com todas as igrejas (2Co 11.28).

1.2 – A Igreja

A Igreja é uma congregação local, formada por pessoas regeneradas e batizadas após pública pro-fissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ela cumpre os propósitos de Deus no mundo sob o senhorio de Jesus Cristo, o qual deseja criar um novo homem segundo a imagem e semelhança do Deus Triuno e formar uma nova humanidade, um povo para louvor da glória da sua graça no tem-po presente e na eternidade.
A Igreja cumpre esse propósito através do culto, da edificação dos salvos, da proclamação do Evan-gelho, da ação social e da educação, vivendo em a-mor. No cumprimento dessas funções, a Igreja coo-pera com Deus para a consecução do plano divino de redenção. Baseada no princípio da cooperação voluntária, entende a Igreja que, juntando seus es-forços ao de igrejas irmãs, pode realizar a obra co-mum de missões, educação, formação de ministros e de ação social, com mais eficiência e amplitude.
A Igreja é autônoma em sua administração local, tem governo democrático, pratica a disciplina e se rege pela Palavra de Deus em todas as questões espirituais, doutrinárias e éticas, sob a orientação do Espírito Santo. O princípio da autonomia não se aplica a decisões doutrinárias que contrariem a “De-claração Doutrinária da Convenção Batista Brasilei-ra”.

1.3 – Conceito de Batista

O crente batista é uma pessoa convertida, rege-nerada pela ação do Espírito Santo, salva mediante a graça de Deus e pela fé em Jesus Cristo e se sub-mete à soberania de Cristo; une-se a uma igreja lo-cal, corpo de Cristo, através do batismo; presta cul-to a Deus e somente a Ele; crê na autoridade da Palavra de Deus – sua única regra de fé e prática – e na competência do indivíduo perante Deus.
1.4 – A forma de governo batista
Os batistas adotam como forma de governo da i-greja o sistema democrático exercido pela congre-gação local, debaixo da soberania de Jesus Cristo, Cabeça e Senhor da Igreja, e da orientação do Espí-rito Santo.
A democracia se exprime pelo voto: cada mem-bro, um voto. Ela é o sistema de governo baseado no reconhecimento da competência da pessoa hu-mana perante Deus, nos princípios da liberdade e da responsabilidade, que proporciona oportunidade para a plena realização pessoal, o crescimento, o progresso e a expressão de sua consciência e von-tade.
A democracia batista é um privilégio, é um desa-fio. O desafio de preparar e educar um povo para o reconhecimento de seu valor e para a aplicação a-dequada desse valor em tudo que é, diz e faz.
1.5 – O princípio da cooperação
A igreja como família, povo de Deus, corpo de Cristo, assembléia dos salvos, aponta para a coope-ração, para a associação e para a união das forças e propósitos, tendo em vista objetivos comuns.
O princípio da cooperação fraterna e solidária es-tá fundamentado na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamentos, que afirma ter Deus propósitos definidos para o mundo e para o universo, que bus-ca alcançar através da participação dos homens em geral e de seus servos em particular.
A cooperação, no Reino de Deus, é a forma de o-peração que dignifica e exalta os homens. Paulo a-firma que somos cooperadores com Deus (1Co 3.9). Essa coparticipação eleva a cooperação ao ponto mais alto da dignidade, pois dá ao homem o privilé-gio de trabalhar com o seu Criador e Senhor.
A cooperação é a essência do sistema batista. Trabalhar junto tem sido o segredo da obra realiza-da, tem sido o ponto para onde convergem as auto-nomias e independências, reforçando a interdepen-dência e o compartilhar dos mesmos objetivos. A cooperação é obra de iguais, de companheiros, de livres, porque é resultado da soma de vontades que livremente decidem pela união de forças para a rea-lização de propósitos comuns.
A Convenção, como órgão que dá expressão à o-bra cooperativa dos batistas, busca sempre cami-nhos para fortalecer a visão sinótica de igrejas e crentes, o que possibilita o desenvolvimento das a-tenções e esforços na direção assinalada como o ponto de interesse comum.
A cooperação a ser buscada e a ser dada tende para a obtenção de resultados cada vez mais ex-pressivos, permitindo o cumprimento dos propósitos e das tarefas indicadas com a maior eficácia possí-vel.
A cooperação a ser dada deve ser alegre, entusi-ástica, solidária, nos termos de Eclesiastes 4.9-12 e 2Coríntios 9.7.
A Convenção, em seu propósito de promover a cooperação, entende que, além daquela cooperação resultante dos vínculos que mantém com igrejas, entidades e órgãos, há outra cooperação igualmen-te desejada, que são daquelas entidades e órgãos com os quais as igrejas se associam, como é o caso das associações regionais, da Convenção Batista Brasileira e outros, cujos objetivos se somam aos propósitos da Convenção.
A Convenção representa de forma adequada a solução dos batistas para a realização de suas aspi-rações comunitárias e o tratamento das questões de seu interesse, seguindo a mesma linha dos ensi-nos e exemplos bíblicos, buscando assim manter-se fiel ao propósito de Deus de salvar o mundo e ad-quirir para Si um povo peculiar.

II. A Convenção – sua natureza e objetivos

A Convenção Batista do Rio Grande do Sul é uma organização religiosa, sem fins lucrativos, composta de igrejas batistas que decidem voluntariamente se unir para viverem juntas a mesma fé, promoverem o Reino de Deus e assumirem o compromisso de fi-delidade doutrinária, cooperação e empenho na e-xecução dos programas convencionais. A Conven-ção existe em função do propósito que o Senhor Je-sus deu à sua Igreja. Ela não substitui a igreja lo-cal, mas aglutina recursos, analisa e sugere méto-dos, planos e proporciona às igrejas condições me-lhores para o cumprimento de suas funções.
A Convenção é caudatária das igrejas, quando recebe delas condições e motivações para existir e operar; é também cadinho e foro, quando, em suas assembléias, constituídas por mensageiros enviados pelas igrejas cooperantes, orienta quanto a doutri-nas e práticas, relatórios das atividades dos seus órgãos e entidades, debate idéias e aprova diretri-zes gerais; é, ainda, coordenadora, quando recebe planos e programas como atividades que deva im-plementar visando à concretização das aspirações comuns às igrejas cooperantes.
Assim a Convenção incentiva e coordena a obra cooperativa das igrejas, buscando sempre fortalecer a visão sinótica e a ação sinergética de igrejas e crentes, regida sempre pelos princípios da volunta-riedade, da fraternidade, da solidariedade, do in-centivo e presidida pelo respeito à autonomia da i-greja participante.
A partir da compreensão de sua natureza, a Convenção tem como finalidade:
a) estimular a criação de condições para abrir canais de cooperação, de congraçamento, de inter-câmbio entre as igrejas da mesma fé e ordem, para que cumpram seus ideais e a missão dada pelo Se-nhor – do ideal da unidade da fé no pleno conheci-mento do Filho de Deus;
b) incentivar a maturidade cristã, objetivando a estatura da plenitude de Cristo;
c) buscar a construção de uma sociedade justa, onde cada cidadão encontre seu bem estar e o de-senvolvimento pleno de suas potencialidades;
d) a formação de um povo para Deus através da ação da igreja e da glorificação do nome de Deus em todas as esferas da sociedade.
Tem, também, como finalidade, ajudar no pre-paro do povo de Deus, treinando pessoas para o cumprimento de seu sacerdócio na igreja e na soci-edade, a fim de que a presença do Evangelho se fa-ça sentir influente na educação, na política, na eco-nomia, na ação social, na comunicação social, na religião, através de uma ação missionária, docente, profissional, intelectual e cristã eficaz.
A Convenção, visando à manutenção da integri-dade do patrimônio das igrejas, orienta quanto à in-clusão de cláusulas de segurança nos seus estatu-tos e nas escrituras de suas propriedades, no senti-do de que, no caso de cisão por motivos doutriná-rios, essas propriedades permaneçam em poder do grupo que permanece fiel às doutrinas batistas, in-dependentemente de seu número.
Os batistas consideram esse desafio com redo-brada humildade e dependência de Deus, buscando condições para responder objetivamente às neces-sidades deste mundo complexo e de oportunidades crescentes.
2.1 – Na área de educação cristã e fortalecimen-to das igrejas
2.1.1 – A Convenção produz, organiza e promo-ve programas de Educação Cristã, sugerindo-os às igrejas, a fim de obter:
a) o desenvolvimento completo dos salvos, obje-tivando a maturidade em Cristo, conduzindo-os a vivenciarem os princípios cristãos no lar, na igreja e na sociedade à luz da Palavra de Deus;
b) a comunhão fraternal, que considera e busca satisfazer as necessidades e aspirações de cada pessoa;
c) salvos treinados e capacitados que utilizem os seus talentos e dons espirituais e atuem como a-gentes de transformação, a serviço da causa de Cristo, a partir da comunidade em que vivem, para a glória de Deus e edificação do corpo de Cristo;
d) líderes treinados para a mobilização dos membros das igrejas na execução de seus ministé-rios.
2.1.2 – A Convenção estimula o relacionamento fraternal entre as igrejas, visando a obter maior grau de integração denominacional e participação nos programas cooperativos.
2.1.3 – A Convenção promove e apóia os progra-mas de cooperação fraternal entre as igrejas, inclu-sive através de mecanismos de convênios.
2.1.4 – A Convenção apóia o fortalecimento das igrejas no tocante ao conhecimento, prática e defe-sa das doutrinas aceitas pelos batistas.
2.1.5 – A Convenção estimula a maturidade cris-tã e a capacitação para o serviço cristão, através dos programas de Educação Cristã, desenvolvidos pelas entidades que operam nessa área e ainda pe-las próprias igrejas, utilizando técnicas, métodos e instrumentos modernos para esses fins.
2.1.6 – A Convenção, através de suas entidades, incentiva uma política geral de atendimento a todos os membros das igrejas, incluídos em suas respecti-vas áreas de atuação, para que o programa con-vencional de Educação Cristã, Missões, Música Sa-cra e Mordomia Bíblica seja efetivamente atingido, gerando oportunidades para a valorização e cresci-mento das pessoas alcançadas.
2.1.7 – A Convenção estimula o lazer com o ob-jetivo do desenvolvimento da saúde física e mental do indivíduo.
2.2 – Na área de formação teológica e ministerial
2.2.1 – A Convenção entende que a educação teológica e ministerial é teocêntrica e cristocêntrica, visando à formação integral do aluno para o desem-penho de seu ministério na igreja, na denominação e no mundo.
2.2.2 – A Convenção estrutura, coordena, pro-move e estimula o ensino teológico e ministerial com vistas à formação de pastores, obreiros, minis-tros, especialistas em áreas específicas do ministé-rio para o serviço das igrejas e professores para as instituições de ensino teológico e ministerial.
2.2.3 – A Convenção adota um programa de e-ducação teológica e ministerial embasado nas dou-trinas e práticas batistas, ao mesmo tempo em que estimula a pesquisa teológica. Os resultados da pesquisa que conflitem com as doutrinas aceitas pela Convenção são submetidos ao crivo da Assem-bléia Convencional.
2.3 – Na área de evangelização e missões
2.3.1 – A Convenção entende que missões é a a-ção da Igreja para o cumprimento do propósito e-terno de Deus – remir o pecador e formar um povo para Si. É a Igreja, através de seus membros, que cumpre a Grande Comissão, testemunhando, evan-gelizando e discipulando.
2.3.2 – A Convenção promove a obra missionária em todo o Estado do Rio Grande do Sul com o obje-tivo de apressar a evangelização das pessoas.
2.3.3 – A Convenção estimula o surgimento de vocações missionárias e a criação de programas de treinamento de crentes para o trabalho missionário e de evangelização.
2.3.4 – A Convenção incentiva as igrejas a que realizem e participem do esforço missionário para a evangelização das cidades, da zona rural, do Esta-do, do país e do mundo, cumprindo Atos 1.8.
2.3.5 – A Convenção propicia às igrejas, através de programas de treinamento, apoio para que os crentes sejam equipados a fim de que apliquem seus dons na evangelização e plantem igrejas auto-sustentadas e reprodutivas.
2.3.6 – A Convenção promove e favorece o sur-gimento de programas de evangelização de grupos específicos, tais como: estudantes secundaristas, pré-universitários e universitários, presidiários, étni-cos, crianças, não alfabetizados, deficientes físicos e outros, através de ministérios específicos, direcio-nados a apoiar o crente no seu testemunho cristão.
2.4 – Na área de ação social
2.4.1 – A Convenção entende que:
a) a ação social dos batistas é uma manifestação do reino de Deus na sociedade com o fim de possi-bilitar a plena realização da pessoa humana em sua relação consigo mesma, com o próximo, com a na-tureza e com Deus;
b) o homem é um ser social, pessoal, espiritual e aperfeiçoável criado à imagem e semelhança de Deus, objeto dos atos de Deus, que, com justiça e amor revelados na pessoa de Jesus Cristo, quer o-perar a plena realização de seus propósitos na his-tória;
c) a ação social é o meio indispensável para pro-mover o homem e a sociedade em que vive, objeti-vando o bem comum na prática do amor, colabo-rando no processo de aperfeiçoamento do ser hu-mano;
d) os atos sociais não são secundários, mas es-senciais e espirituais porque expressam amor para com o próximo e glorificam a Deus;
e) o crente batista é responsável pela qualidade de sua vida e da vida de seu semelhante;
f) o homem, como criatura de Deus, tem valor intrínseco e deve ser atendido em suas necessida-des sem distinção de raça, religião, sexo ou qual-quer outra discriminação.
2.4.2 – Os batistas se propõem a uma ação soci-al, denominacional, eclesiástica e individual em bus-ca do bem estar comum, tanto dos salvos quanto dos não salvos.
2.4.3 – A Convenção busca de modo especial criar em todas as faixas etárias uma consciência e-fetiva quanto à responsabilidade social do crente e da igreja.
2.4.4 – A Convenção, por meio de instrumentos próprios e estímulo às igrejas e aos crentes, procu-ra atuar de formas significativas perante a socieda-de, influindo na formulação das leis e através de pronunciamento às autoridades com ação adequada a cada situação e momento, marcando a presença dos batistas através da vivência prática do amor e da justiça social.
2.4.5 – A Convenção desenvolve e incentiva pro-gramas que visam ao atendimento ao indivíduo em todas as suas necessidades, destacando-se as cri-anças, os adolescentes e a terceira idade, gerando oportunidades para valoração e o crescimento das vidas assim alcançadas.
2.4.6 – A Convenção reconhece como válidos convênios firmados com o Poder Público ou outros, para a realização de obras sociais, sem prejuízo dos seus princípios.
2.5 – Na área da comunicação social
2.5.1 – A Convenção reconhece o valor da comu-nicação social e se utiliza dela como instrumento para tornar conhecida a sua mensagem e atuação na igreja e na sociedade, expondo seus princípios e preservando a sua imagem.
2.5.2 – A Convenção estimula o surgimento de vocações, nessa área, e a utilização dos meios de comunicação por parte dos membros da igreja para a formação de uma mentalidade cristã na socieda-de.
2.6 – Na área da educação
2.6.1 – Para a Convenção, educação é o proces-so pelo qual o ser humano, na condição de educan-do, toma consciência da vida e nela se desenvolve. Tal processo de conscientização e desenvolvimento abrange as áreas espiritual, moral, social, física, e-mocional e intelectual do ser humano, devendo o mesmo ocorrer de maneira harmônica e equilibra-da.
2.6.2 – A administração educacional existe como promotora dos meios para a realização do processo educativo.
2.6.3 – O processo educativo tem precedência sobre o administrativo.
2.6.4 – A filosofia educacional deve ter por base princípios cristãos para alcançar o educando na sua maior abrangência possível no ser, no saber, no fa-zer e no ter.
2.6.5 – A Convenção atua na obra de educação não só através do incentivo à criação de escolas, mas também através de sugestões para a criação de programas de alfabetização, de estímulo aos jo-vens e adultos para que estudem, buscando o cres-cimento intelectual e profissional, dando atenção especial ao magistério em suas diversas áreas como parte do programa de valorização pessoal e teste-munho.
2.6.6 – A Convenção estimula o crescimento cul-tural e artístico principalmente do povo batista, sob todos os aspectos que contribuam para promover os valores cristãos, aprimorar o conhecimento e a expressão criativa de seus talentos.
2.6.7 – A Convenção promove e apóia progra-mas que fortalecem e influem na formação da per-sonalidade e caráter da criança e do adolescente dentro de seus estágios de desenvolvimento.
2.6.8 – A Convenção reconhece a importância do ensino público e defende o seu cumprimento pelo Estado.
2.7 – Na área dos ministérios
2.7.1 – A Convenção reconhece a existência da variedade de ministérios e a necessidade de desen-volver esforços para o surgimento de vocacionados para as suas diversas áreas, bem como a sua utili-zação pelas igrejas.
2.7.2 – A Convenção dá apoio decisivo ao minis-tério pastoral, buscando oferecer aos pastores estí-mulo, recursos e outras formas de auxílio, com o objetivo de ajudá-los na realização de sua árdua ta-refa de pastores de almas, de condutores de vidas e de líderes das igrejas.
2.7.3 – A Convenção ensina e incentiva as igre-jas a reconhecerem o valor do ministério para a edi-ficação e o crescimento das igrejas, a sustentarem dignamente seus ministros, a valorizarem o ideal de um ministério de dedicação integral, a manterem um bom relacionamento com seus pastores e a pre-servarem a ética do ministério pastoral.
2.7.4 – A Convenção oferece condições de atua-lização visando ao aprimoramento dos ministérios. 2.7.5 – A Convenção apóia a criação de condi-ções de assistência social para os ministros e suas famílias.
2.7.6 – A Convenção estimula o surgimento de legítimas vocações ministeriais e motiva as igrejas a que participem do sustento dos vocacionados e do seu treinamento prático. A vocação é dada por Deus para o cumprimento de seu propósito eterno na história, a ser cumprido pela igreja, por isso que a formação do ministro existe em função da igreja – sua existência, missão, ministérios e necessidades do mundo.
2.8 – Na área da cooperação
2.8.1 – A Convenção, reconhecendo que a coo-peração é o instrumento mais adequado ao sistema batista de realização da obra da igreja local e da o-bra que as igrejas realizam entre si, promove por todos os meios ao seu alcance o crescimento do es-pírito cooperativo entre os crentes e entre as igre-jas.
2.8.2 – A Convenção reconhece, deseja e busca a cooperação resultante de relacionamentos com batistas de outras partes do mundo que se interes-sam por intercâmbios ou convênios e a cooperação de entidades ou instituições nacionais formadas por batistas que se proponham a complementar os es-forços comuns e compatíveis com a natureza e pro-pósitos da Convenção.
2.8.3 – A Convenção reconhece a existência de outras igrejas evangélicas e organizações que não se identificam totalmente com os princípios bíblicos por ela esposados, com as quais pode manter rela-ções de cooperação em determinados momentos, compatíveis com a natureza e objetivos da própria Convenção.
2.9 – Na área do sustento
2.9.1 – A Convenção reconhece como fontes le-gítimas para sustento do seu trabalho o crente, a i-greja, a prestação de serviços entre as entidades da Convenção e a prestação de serviços a terceiros, desde que destinados às finalidades das institui-ções.
2.9.2 – A Convenção, por meio das igrejas, esti-mula os crentes a fazerem doações para a formação de fundos que sustentem programas especiais da Convenção.
2.10 – Na área da música e louvor
2.10.1 – Os batistas entendem que a música sa-cra é um ministério na igreja que tem a função pri-mordial de servir ao culto cristão.
2.10.2 – Os batistas reconhecem o grande poder da música sobre as pessoas e a sociedade e procu-ram zelar pela preservação dos ideais e valores da música sacra.
2.10.3 – O culto cristão é a reunião de crentes para adorar a Deus, com Ele ter comunhão e tam-bém anunciar a Sua mensagem. A musica exerce funções diferentes através de uma experiência de culto verdadeiro: louvor e exaltação ao Deus Trino, edificação dos crentes promovendo crescimento es-piritual, anúncio da mensagem de Deus para a e-vangelização de pessoas não crentes, conforto no sofrimento, cuidado pastoral, levando os fiéis a an-darem nos caminhos de Deus.
2.10.4 – A Convenção mantém programas de formação de ministros para a música sacra, treina-mento de líderes e formação de músicos para servi-rem às igrejas.
2.10.5 – A Convenção estimula o uso de voca-ções, dons e talentos musicais nas igrejas e incenti-va a influência dos crentes na formação musical da sociedade.
2.10.6 – A Convenção dá apoio à produção de li-teratura musical em publicações e gravações, pro-vendo material musical às igrejas.
2.10.7 – A Convenção incentiva os músicos ba-tistas a unirem seus esforços na procura dos melho-res métodos, das melhores letras e de músicas para todas as pessoas na igreja.
2.10.8 – Os batistas crêem que cultuar a Deus é vivificar a consciência pela Santidade de Deus; nu-trir a mente com a verdade de Deus; purificar a i-maginação pela beleza de Deus; abrir o coração ao amor de Deus; e dedicar a vontade ao propósito de Deus.
2.11 – Na área da mordomia cristã
2.11.1 – Os batistas gaúchos ensinam e prati-cam a mordomia cristã, que tem seus fundamentos e sua teologia baseados na Bíblia.
2.11.2 – A mordomia cristã é um ensino bíblico e um princípio espiritual que reconhece Deus como o Senhor e dono de todas as coisas e o homem co-mo responsável pelo uso delas, de acordo com o propósito perfeito de Deus, a quem presta contas pela qualidade e resultados de sua administração.
2.11.3 – A Convenção reconhece:
a) a precedência do eterno sobre o secular;
b) a supremacia do espiritual sobre o material;
c) a transcendência do divino sobre o humano;
d) a responsabilidade do crente batista de encar-nar profeticamente, neste século, os valores eter-nos;
e) a necessidade de administrar o mundo mate-rial com o mesmo senso de responsabilidade como administra o espiritual;
f) o conceito bíblico de que o ser humano é coo-perador de Deus e participa da obra da redenção, com liberdade e criatividade.
2.11.4 – A Convenção entende que a mordomia cristã está fundamentada no caráter de Deus e na convicção de que o homem, criado à Sua imagem e semelhança, deve refletir no seu viver as virtudes do caráter de seu Deus; reconhece também que a mordomia cristã compreende a doutrina da criação, a doutrina da redenção, a doutrina da igreja e a doutrina da graça e da justiça.
2.11.5 – A Convenção entende que os princípios da mordomia cristã incluem:
a) a vida, as ações e as atitudes dos homens;
b) a personalidade, a influência, a profissão e o trabalho;
c) a educação e o emprego do seu produto;
d) os assuntos relativos à economia e à adminis-tração e utilização dos bens;
e) a adoração, testemunho de vida e os propósi-tos pessoais;
f) a utilização da vida e dons no serviço do Se-nhor, para benefício da família, da sociedade, da i-greja, do Reino de Deus e das realizações pessoais.
2.11.6 – A Convenção não reconhece como bíbli-ca a doutrina que ensina a prosperidade material e a ausência de enfermidades como decorrência natu-ral e direito dos crentes, e sim como soberana gra-ça de Deus.

III. Organização da Convenção

3.1 – A Convenção assume a visão completa de si mesma e de seus objetivos em cada área.
3.2 – Organiza-se de forma a possibilitar o fiel cumprimento de seus objetivos, a serviço das igre-jas que a compõem e sempre por decisão dos men-sageiros, credenciados e enviados às suas assem-bléias.
3.3 – Como decorrência de sua natureza, a Con-venção busca realizar seus objetivos e exerce suas funções, balizada por parâmetros estabelecidos pe-las assembléias convencionais.
3.4 – No cumprimento de suas finalidades, a Convenção busca o equilíbrio que deve existir em u-ma associação religiosa voltada para promover e in-centivar a cooperação de igrejas autônomas e de crentes, responsáveis diante de Deus.
3.5 – A Convenção se organiza para:
3.5.1 – concretizar a visão do todo nas áreas de evangelização, missões, educação teológica e mi-nisterial, ação social, comunicação social, publica-ções, música, acampamentos, ajuda às igrejas, mi-nistério pastoral, educação, educação cristã, famí-lia, cuidado às crianças, aos adolescentes, aos jo-vens, aos adultos, à terceira idade e outras.
3.5.2 – operar nas áreas ainda não contempla-das com atuação específica dos ministérios existen-tes, preocupando-se, inclusive, com o crescimento e o desenvolvimento pessoal do salvo e seu minis-tério voltado para a comunidade e o mundo.
3.5.3 – voltar-se para o mundo com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de uma cos-movisão cristã atuante quanto ao meio ambiente e outras questões contemporâneas.
3.5.4 – manter a unidade doutrinária das igrejas e protegê-las contra o assédio de líderes e grupos heréticos que tentam desviar os crentes e as igrejas da sã doutrina bíblica, conforme a “Declaração Dou-trinária da CBB”.
3.6 – A Convenção existe e funciona:
3.6.1 – através da Assembléia Geral, que é o seu órgão deliberativo e soberano, composta por men-sageiros credenciados pelas igrejas cooperantes. A voz e o voto em cada Assembléia é direito inerente aos mensageiros das igrejas;
3.6.2 – através de um órgão de planejamento e coordenação que, no interregno das Assembléias, representa a Convenção planejando, executando e administrando os programas dela dentro das atribu-ições definidas em Estatuto e/ou Regimento pró-prios;
3.6.3 – através de suas entidades que, em suas respectivas áreas de atuação, representam a Con-venção e executam os seus programas, dentro das atribuições definidas em Estatuto.

IV. Operacionalização

4.1 – Para coordenar eficazmente o seu traba-lho, a Convenção determina às suas entidades qual é a área de atuação e as tarefas específicas de cada uma e como espera que elas respondam ao manda-to recebido. Para efetivar essa coordenação, cria instrumentos que possibilitam o planejamento e a avaliação do trabalho, a fim de que seus objetivos sejam alcançados.
4.2 – A Convenção atua nas áreas de adminis-tração, finanças, missões, evangelização, educação, educação teológica e ministerial, publicações, proje-tos cooperativos, ação social, música, educação cristã, acampamentos, programas para famílias, cri-anças, adolescentes, jovens e outras.
4.3 – No relacionamento cooperativo com as i-grejas e associações de igrejas, a Convenção atua diretamente e através de suas entidades.
4.4 – A Convenção opera por meio de entidades e órgãos que executam seus programas à luz do texto e espírito desta Filosofia.
4.5 – As igrejas são incentivadas a se reunirem em associações regionais, com o objetivo de reali-zarem atividades comuns nas diversas áreas de sua atuação, sem a necessidade de se tornarem pesso-as jurídicas, para evitar a oneração financeira e a multiplicidade operacional.