Declaração de Fé

PREÂMBULO

Os discípulos de Jesus Cristo que vieram a ser designados pelo nome “batista” se caracterizavam pela sua fidelidade às Escrituras e por isso só rece-biam em suas comunidades, como membros atuan-tes, pessoas convertidas pelo Espírito Santo de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batiza-das e não reconheciam como válido o batismo admi-nistrado na infância por qualquer grupo cristão, pois, para eles, crianças recém-nascidas não podiam ter consciência de pecado, regeneração, fé e salva-ção. Para adotarem essas posições eles estavam bem fundamentados nos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento. A mesma fundamenta-ção tinham todas as outras disciplinas que professa-vam. Mas sua exigência de batismo só de converti-dos é que mais chamou a atenção do povo e das autoridades, daí derivando a designação “batista” que muitos supõem ser uma forma simplificada de “anabatista”, “aquele que batiza de novo”.
A designação surgiu no século XVII, mas aqueles discípulos de Jesus Cristo estavam espiritualmente ligados a todos os que, através dos séculos, procu-raram permanecer fiéis aos ensinamentos das Escri-turas, repudiando, mesmo com risco da própria vi-da, os acréscimos e corrupções de origem humana.

Através dos tempos, os batistas se têm notabili-zado pela defesa destes princípios:

1o – A aceitação das Escrituras Sagradas como única regra de fé e conduta.
2o – O conceito de igreja como sendo uma comu-nidade local democrática e autônoma, formada de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas.
3o – A separação entre Igreja e Estado.
4o – A absoluta liberdade de consciência.
5o – A responsabilidade individual diante de Deus.
6o – A autenticidade e apostolicidade das igrejas.

Caracterizam-se também os batistas pela intensa e ativa cooperação entre suas igrejas. Não havendo nenhum poder que possa constranger a igreja local, a não ser a vontade de Deus, manifestada através de seu Santo Espírito, os batistas, baseados nesse princípio da cooperação voluntária das igrejas, reali-zam uma obra geral de missões, em que foram pio-neiros entre os evangélicos nos tempos modernos; de evangelização, de educação teológica, religiosa e secular; de ação social e de beneficência. Para a e-xecução desses fins, organizam associações regio-nais e convenções estaduais e nacionais, não tendo estas, no entanto, autoridade sobre as igrejas; de-vendo suas resoluções ser entendidas como suges-tões ou apelos.

Para os batistas, as Escrituras Sagradas, em par-ticular o Novo Testamento, constituem a única regra de fé e conduta, mas, de quando em quando, as cir-cunstâncias exigem que sejam feitas declarações doutrinárias que esclareçam os espíritos, dissipem dúvidas e reafirmem posições. Cremos estar viven-do um momento assim no Brasil, quando uma de-claração desse tipo deve ser formulada, com a exi-gência insubstituível de ser rigorosamente funda-mentada na Palavra de Deus. É o que faz agora a Convenção Batista Brasileira, nos 19 artigos que se seguem.

I – ESCRITURAS SAGRADAS

A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem hu-mana. É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo. Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus. Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina. Revela o destino final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens. A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina e a conduta dos homens. Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.

II – DEUS

O único Deus vivo e verdadeiro é Espírito pesso-al, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisci-ente e onipresente; é perfeito em santidade, justiça, verdade e amor. Ele é criador, sustentador, reden-tor, juiz e senhor da história e do universo, que go-verna pelo seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu propósito e graça. Deus é in-finito em santidade e em todas as demais perfei-ções. Por isso, a ele devemos todo o amor, culto e obediência. Em sua triunidade, o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas dis-tintas mas sem divisão em sua essência.

1. Deus Pai
Deus, como Criador, manifesta disposição pater-nal para com todos os homens. Historicamente ele se revelou primeiro como pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça. E-le é o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem en-viou a este mundo para salvar os pecadores e deles fazer filhos por adoção. Aqueles que aceitam a Je-sus Cristo e nele crêem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu Espírito, e, assim, passam a tê-lo como Pai celestial, dele recebendo proteção e disci-plina.

2. Deus Filho
Jesus Cristo, um em essência com o Pai, é o e-terno Filho de Deus. Nele, por ele e para ele, fo-ram criadas todas as coisas. Na plenitude dos tempos ele se fez carne, na pessoa real e histórica de Jesus Cristo, gerado pelo Espírito Santo e nasci-do da virgem Maria, sendo, em sua pessoa, verda-deiro Deus e verdadeiro homem. Jesus é a ima-gem expressa do seu Pai, a revelação suprema de Deus ao homem. Ele honrou e cumpriu plenamen-te a lei divina e revelou e obedeceu toda a vontade de Deus. Identificou-se perfeitamente com os ho-mens, sofrendo o castigo e expiando a culpa de nos-sos pecados, conquanto ele mesmo não tivesse pe-cado.
Para salvar-nos do pecado, morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro dia ressurgiu dentre os mor-tos e, depois de aparecer muitas vezes a seus discí-pulos, ascendeu aos céus, onde, à destra do Pai, e-xerce o seu eterno sumo sacerdócio. Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens e o úni-co e suficiente Salvador e Senhor. Pelo seu Espíri-to ele está presente e habita no coração de cada crente e na igreja. Ele voltará visivelmente a este mundo em grande poder e glória, para julgar os ho-mens e consumar sua obra redentora.

3. Deus Espírito Santo
O Espírito Santo, um em essência com o Pai e com o Filho, é pessoa divina. É o Espírito da Ver-dade. Atuou na criação do mundo e inspirou os homens a escreverem as Sagradas Escrituras. Ele ilumina os homens e os capacita a compreenderem a verdade divina. No dia de Pentecostes, em cum-primento final da profecia e das promessas quanto à descida do Espírito Santo, ele se manifestou de ma-neira singular e irrepetível, quando os primeiros dis-cípulos foram batizados no Espírito, passando a fa-zer parte do Corpo de Cristo que é a Igreja. Suas outras manifestações, constantes no livro de Atos dos Apóstolos, confirmam a evidência de universali-dade do dom do Espírito Santo a todos os que crê-em em Cristo. O batismo no Espírito Santo sempre ocorre quando os pecadores se convertem a Jesus Cristo, que os integra, regenerados pelo Espírito, à Igreja. Ele dá testemunho de Jesus Cristo e o glo-rifica. Convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Opera a regeneração do pecador perdi-do. Sela o crente para o dia da redenção final. Habita no crente. Guia-o em toda a verdade. Ca-pacita-o para obedecer à vontade de Deus. Distri-bui dons aos filhos de Deus para a edificação do Corpo de Cristo e para o ministério da Igreja no mundo. Sua plenitude e seu fruto na vida do cren-te constituem condições para a vida cristã vitoriosa e testemunhante.

III – O HOMEM

Por um ato especial, o homem foi criado por Deus à sua imagem e conforme à sua semelhança e disso decorrem o seu valor e dignidade. Seu corpo foi feito do pó da terra e para o mesmo pó há de voltar. Seu espírito procede de Deus e para ele re-tornará. O criador ordenou que o homem domine, desenvolva e guarde a obra criada. Criado para a glorificação de Deus. Seu propósito é amar, co-nhecer e estar em comunhão com seu Criador, bem como cumprir sua divina vontade. Ser pessoal e espiritual, o homem tem capacidade de perceber, conhecer e compreender, ainda que em parte, inte-lectual e experimentalmente, a verdade revelada, e tomar suas decisões em matéria religiosa, sem a mediação, interferência ou imposição de qualquer poder humano, seja civil ou religioso.

IV – O PECADO

No princípio o homem vivia em estado de inocên-cia e mantinha perfeita comunhão com Deus. Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e de-le ficou separado. Em conseqüência da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à prática do mal. Todo pe-cado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua von-tade e sua lei. Mas o mal praticado pelo homem a-tinge também o seu próximo. O pecado maior con-siste em não crer na pessoa de Cristo, o Filho de Deus, como Salvador pessoal. Como resultado do pecado, da incredulidade e da desobediência do ho-mem contra Deus, ele está sujeito à morte e à con-denação eterna, além de se tornar inimigo do próxi-mo e da própria criação de Deus. Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para ser salvo.

V – SALVAÇÃO

A salvação é outorgada por Deus pela sua graça, mediante arrependimento do pecador e da sua fé em Jesus Cristo como único Salvador e Senhor. O preço da redenção eterna do crente foi pago de uma vez por Jesus Cristo, pelo derramamento do seu sangue na cruz. A salvação é individual e significa a redenção do homem na inteireza do seu ser. É um dom gratuito que Deus oferece a todos os ho-mens e que compreende a regeneração, a justifica-ção, a santificação e a glorificação.
A regeneração é o ato inicial da salvação em que Deus faz nascer de novo o pecador perdido, de-le fazendo uma nova criatura em Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o perdão, a justificação, a adoção como filho de Deus, a vida e-terna e o dom do Espírito Santo. Nesse ato o novo crente é batizado no Espírito Santo, é por ele selado para o dia da redenção final e é liberto do castigo e-terno dos seus pecados. Há duas condições para o pecador ser regenerado: arrependimento e fé. O ar-rependimento implica mudança radical do homem interior, por força do que ele se afasta do pecado e se volta para Deus. A fé é a confiança e aceitação de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade a ele por parte do pecador. Nessa experiência de conversão o homem perdido é recon-ciliado com Deus, que lhe concede perdão, justiça e paz.
A justificação, que ocorre simultaneamente com a regeneração, é o ato pelo qual Deus, conside-rando os méritos do sacrifício de Cristo, absolve, no perdão, o homem de seus pecados e o declara jus-to, capacitando-o para uma vida de retidão diante de Deus e de correção diante dos homens. Essa graça é concedida não por causa de quaisquer obras meritórias praticadas pelo homem mas por meio de sua fé em Cristo.
A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos pro-pósitos de Deus para a sua vida e o habilita a pro-gredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Es-pírito Santo que nele habita. Ela ocorre na medida da dedicação do crente e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo.
A glorificação é o ponto culminante da obra da salvação. É o estado final, permanente, da felici-dade dos que são redimidos pelo sangue de Cristo.

VI – ELEIÇÃO

Eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça. Antes da criação do mundo, Deus, no exercício da sua soberania divina, e à luz de sua presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação. Ainda que baseada na soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um e de todos os ho-mens. A salvação do crente é eterna. Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus. Nenhuma força ou circunstância tem po-der para separar o crente do amor de Deus em Cris-to Jesus. O novo nascimento, o perdão, a justifica-ção, a adoção como filhos de Deus, a eleição e o dom do Espírito Santo asseguram aos salvos a per-manência na graça da salvação.

VII – REINO DE DEUS

O reino de Deus é o domínio soberano e univer-sal de Deus e é eterno. É também o domínio de Deus no coração dos homens que, voluntariamente, a ele se submetem pela fé, aceitando-o como Se-nhor e Rei. É, assim, o reino invisível nos corações regenerados, que opera no mundo e se manifesta pelo testemunho dos seus súditos. A consumação do reino ocorrerá com a volta de Jesus Cristo, em data que só Deus conhece, quando o mal será com-pletamente vencido e surgirão o novo céu e a nova terra para a eterna habitação dos remidos com Deus.

VIII – IGREJA

Igreja é uma congregação local de pessoas rege-neradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra “igreja” é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testa-mento. Tais congregações são constituídas por li-vre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem culto a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia pa-ra a edificação mútua e para a propagação do evan-gelho. As igrejas neotestamentárias são autôno-mas, têm governo democrático, praticam a discipli-na e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pela Palavra de Deus, sob a orientação do Espírito Santo. Há nas igrejas, segundo as Escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se com as demais igrejas da mesma fé e ordem e coo-perar, voluntariamente, nas atividades do reino de Deus. O relacionamento com outras entidades, quer sejam se natureza eclesiástica ou outra, não deve envolver a violação da consciência ou o comprome-timento da lealdade a Cristo e sua Palavra. Cada i-greja é um templo do Espírito Santo. Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra “i-greja” em que ela aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo e sobre ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e coo-peração voluntária na realização dos propósitos co-muns do reino de Deus.

IX – O BATISMO E A CEIA DO SENHOR

O batismo e a ceia do Senhor são as duas orde-nanças da igreja estabelecidas pelo próprio Senhor Jesus Cristo, sendo ambas de natureza simbólica. O batismo consiste na imersão do crente em água, após sua pública profissão de fé em Jesus Cristo co-mo Salvador único, suficiente e pessoal. Simboliza a morte e o sepultamento do velho homem e a res-surreição para uma nova vida em identificação com a morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Je-sus Cristo e também prenúncio da ressurreição dos remidos.
O batismo, que é condição para ser membro de uma igreja, deve ser ministrado sob a invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, co-memorativa e proclamadora da morte do Senhor Je-sus Cristo, simbolizada por meio dos elementos uti-lizados: o pão e o vinho. Nesse memorial o pão re-presenta o seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado. A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas até a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batis-mo bíblico e o cuidadoso exame íntimo dos partici-pantes.

X – O DIA DO SENHOR

O domingo, dia do Senhor, é o dia do descanso crist ão, satisfazendo plenamente a exigência divina e a necessidade humana de um dia em sete para o repouso do corpo e do espírito. Com o advento do cristianismo, o primeiro dia da semana passou a ser o dia do Senhor, em virtude de haver Jesus ressus-citado nesse dia. Deve ser para os cristãos um dia de real repouso em que, pela freqüência aos cultos nas igrejas e pelo maior tempo dedicado à oração, à leitura bíblica e outras atividades religiosas eles es-tarão se preparando para “aquele descanso que res-ta para o povo de Deus”. Nesse dia os cristãos de-vem abster-se de todo trabalho secular, excetuado aquele que seja imprescindível à vida da comunida-de. Devem também abster-se de recreações que desviem a atenção das atividades espirituais.

XI – MINISTÉRIO DA PALAVRA

Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto, definido e singular do ministério da sua pa-lavra. O pregador da Palavra é um porta-voz de Deus entre os homens. Cabe-lhe missão seme-lhante àquela realizada pelos profetas do Velho Tes-tamento e pelos apóstolos do Novo Testamento, tendo o próprio Jesus como exemplo e padrão su-premo. A obra do porta-voz de Deus tem uma fi-nalidade dupla: a de proclamar as boas-novas aos perdidos e a de apascentar os salvos. Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chama-do e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas nas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsa-bilidade de separá-lo, formal e publicamente, em re-conhecimento da vocação divina já existente e veri-ficada em sua experiência cristã. Esse ato solene de consagração é consumado quando os membros de um presbitério ou concílio de pastores, convoca-dos pela igreja, impõe as mãos sobre o vocaciona-do. O ministro da Palavra deve dedicar-se total-mente à obra para a qual foi chamado, dependendo em tudo do próprio Deus. O pregador do evange-lho deve viver do evangelho. Às igrejas cabe a responsabilidade de cuidar e sustentar adequada e dignamente seus pastores.

XII – MORDOMIA

Mordomia é a doutrina bíblica que reconhece Deus como Criador, Senhor e Dono de todas as coi-sas. Todas as bênçãos temporais e espirituais procedem de Deus e por isso devem os homens a e-le o que são e possuem e, também, o sustento. O crente pertence a Deus porque Deus o criou e o re-miu em Jesus Cristo. Pertencendo a Deus, o cren-te é mordomo ou administrador da vida, das apti-dões, do tempo, dos bens, da influência, das opor-tunidades, da personalidade, dos recursos naturais e de tudo o que Deus lhe confia em seu infinito a-mor, providência e sabedoria. Cabe ao crente o dever de viver e comunicar ao mundo o evangelho que recebeu de Deus. As Escrituras Sagradas en-sinam que o plano específico de Deus para o susten-to financeiro de sua causa consiste na entrega pelos crentes de dízimos e ofertas alçadas. Devem eles trazer à igreja sua contribuição sistemática e pro-porcional com alegria e liberalidade, para o sustento do ministério, das obras de evangelização, benefi-cência e outras.

XIII – EVANGELIZAÇÃO E MISSÕES

A missão primordial do povo de Deus é a evan-gelização do mundo, visando à reconciliação do ho-mem com Deus. É dever de todo discípulo de Je-sus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo e-xemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los a observar todas as coisas que Jesus or-denou. A responsabilidade da evangelização es-tende-se até aos confins da terra e por isso as igre-jas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua se-ara.

XIV – EDUCAÇÃO RELIGIOSA

O ministério docente da igreja, sob a égide do Espírito Santo, compreende o relacionamento de Mestre e discípulo, entre Jesus Cristo e o crente. A Palavra de Deus é o conteúdo essencial e funda-mental nesse processo e no programa de aprendiza-gem cristã. O programa de educação religiosa nas igrejas é necessário para a instrução e o desenvolvi-mento de seus membros, a fim de “crescerem em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Às igrejas ca-be cuidar do doutrinamento adequado dos crentes, visando à sua formação e desenvolvimento espiritu-al, moral e eclesiástico, bem como motivação e ca-pacitação sua para o serviço cristão e o desempe-nho de suas tarefas no cumprimento da missão da i-greja no mundo.

XV – LIBERDADE RELIGIOSA

Deus e somente Deus é o Senhor da consciên-cia. A liberdade religiosa é um dos direitos funda-mentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer po-der humano. Cada pessoa tem o direito de cultu-ar a Deus segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A Igreja e o Estado devem estar separados por serem diferen-tes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liber-dade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de orde-nação divina para o bem-estar dos cidadãos e a or-dem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto na-quilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.

XVI – ORDEM SOCIAL

Como o sal da terra e a luz do mundo, o cristão tem o dever de participar em todo esforço que ten-de ao bem comum da sociedade em que vive. En-tretanto, o maior benefício que pode prestar é a-nunciar a mensagem do evangelho; o bem-estar so-cial e o estabelecimento da justiça entre os homens dependem basicamente da regeneração de cada pessoa e da prática dos princípios do evangelho na vida individual e coletiva. Todavia, como cristãos, devemos estender a mão de ajuda aos órfãos, às vi-úvas, aos anciãos, aos enfermos e a outros necessi-tados, bem como a todos aqueles que forem vítimas de quaisquer injustiça e opressões. Isso faremos no espírito de amor, jamais apelando para quais-quer meios de violência ou discordantes das normas de vida expostas no Novo Testamento.

XVII – FAMÍLIA

A família, criada por Deus para o bem do ho-mem, é a primeira instituição da sociedade. Sua ba-se é o casamento monogâmico e duradouro, por to-da a vida, só podendo ser desfeito pela morte ou pela infidelidade conjugal. O propósito imediato da família é glorificar a Deus e prover a satisfação das necessidades humanas de comunhão, educação, companheirismo, segurança, preservação da espécie e bem assim o perfeito ajustamento da pessoa hu-mana em todas as suas dimensões. Caída em vir-tude do pecado, Deus provê para ela, mediante a fé em Cristo, a bênção da salvação temporal e eterna e, quando salva, poderá cumprir seus fins temporais e promover a glória de Deus.

XVIII – MORTE

Todos os homens são marcados pela finitude, de vez que, em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos. A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pesso-ais após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus em Cristo en-quanto estão neste mundo. Com a morte está de-finido o destino eterno de cada homem. Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor”. Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definiti-va de Deus. Na Palavra de Deus encontramos cla-ramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como a negação da e-ficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.

XIX – JUSTOS E ÍMPIOS

Deus, no exercício de sua soberania, está condu-zindo o mundo e a história a seu termo final. Em cumprimento à sua promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande po-der e glória. Os mortos em Cristo serão ressusci-tados e os crentes ainda vivos juntamente com eles serão transformados, arrebatados e se unirão ao Senhor. Os mortos sem Cristo também serão res-suscitados. Conquanto os crentes já estejam jus-tificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Jesus Cristo para serem julga-dos, cada um segundo as suas obras, pois através destas é que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade. Os ímpios condenados e destina-dos ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separa-dos de Deus. Os justos, com os corpos glorifica-dos, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu, com o Senhor.